Reflexões Culturais, Políticas & Teológicas no Facebook e no Twitter

 

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Opinião, Verdade & Tabaco

Definição de inteligência: C.S. Lewis fumando um cigarro. Quem não fuma é bem inteligente. Quem sabe fumar, tem tendência ao brilhantismo, à genialidade e à virtude. Churchill, Spurgeon e Lewis confirmam..

1) Nós não nascemos pra ter a mesma opinião de todo mundo. Nós nascemos pra conhecer, experimentar, viver e propagar a verdade.

2) Agora, se os homens se escandalizam com a Verdade por causa de suas posições e tradições, o problema é deles..

3) É claro, precisamos estabelecer a Verdade em Amor.

4) Não somos donos dela. E muita luz do sol, de uma vez só, pode nos cegar…

 

Cristianismo, Conservadorismo, Libertarianismo & Socialismo

1) O libertarianismo muda o mundo com evolução. O conservadorismo muda com conservação. Só o cristianismo muda com restauração!

2) E o socialismo!? O socialismo muda o mundo com destruição! Ops! Com revolução… Sempre pra pior, obviamente…

 

Autoridade Espiritual & Santidade

1) O poder espiritual cresce de acordo com o progresso da santificação. Há as exceções disso mas a regra é essa.

2) E santidade não tem a ver com entrar pra uma ordem religiosa e se vestir de forma padronizada…

2) E santidade não tem a ver com entrar pra uma ordem religiosa e se vestir de forma padronizada…

4) Santidade é poder humilde que subjuga o mais forte, assim como no caso de Davi e Golias…

5) Outro exemplo é aquele padrão Karate Kid de tantos filmes… A virtude da santidade faz o aparentemente mais fraco prevalecer

 

A Igreja não é a Palavra de Deus. Ela é o Corpo Espiritual onde a Palavra de Deus (Encarnada, Escrita e Revelada) é projetada, sobretudo quando se permite. Ela não está imune à contaminações. Mas ainda chegará a um estado de pureza, glória e unidade que impressionará a muitos…

 

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Rei de um outro Westeros

 

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Assento-me como um rei num banco de praça na varanda de casa

Na sombra da noite penso coisas vãs e outras não tão vãs assim

Com uma xícara de café, transformo o banco em cadeira porque rima com estrela

A noite estava escura. Na varanda de casa, a única lâmpada é a lua.

 

Você conhece a planta do merthiolate?

É aquele remédio mesmo. O que arde.

E enquanto merthiolates ardem

Repolhos gases

Rapés espirram

E cigarros tossem.

 

Fico pensando se sou mesmo rei…

Eu acho que não.

Mas tenho certeza que sou.

 

 

 

Orando no Espírito pra Edificar a Fé e manifestar o Caráter de Cristo

 

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“Pois quem fala em língua não fala aos homens, mas a Deus. De fato, ninguém o entende; em espírito fala mistérios. – Ap. Paulo. 

“O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo…“ – Ap. Paulo

“E eu quero que todos vós faleis em línguas…“ – Ap. Paulo

“Orarei no espírito e também orarei em palavras que entendo. Cantarei no espírito e também cantarei em palavras que entendo.“ – Ap. Paulo

“…Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito…“ – Ap. Paulo

“Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo…“ – Judas 1:20

As frases registradas acima são todas de autoria do apóstolo Paulo em 1 Coríntios e na carta aos Efésios, excetuando a última, com a devida referência.

Alguns dizem que as línguas são idiomas humanos como inglês ou japonês e talvez línguas antigas. Outros acham que ela se consiste de um idioma angelical. Ora, ela não é basicamente nenhuma coisa e nem outra, embora possa modular, e de fato modula, eventualmente (com muitos testemunhos fiéis sobre isso), para (com certeza)  as primeira situação e provavelmente pra segunda também. As línguas como de fogo, são uma linguagem de poder que serve para a própria edificação do cristão que fala. Elas, em seu nível básico, são muito mais uma linguagem ininteligível que permite fazer petições a Deus como Ele quer e não no sentido da nossa vontade.

Essas orações não são compreendidas por quem ora, mas o levam a orar de fato, intensamente e bem, no seu espírito (E Deus é Espírito, né?), assim como são os gemidos inexprimíveis do Consolador que intercede por nós na vontade de Deus, e nós, orando nEle, fazemos o mesmo e passamos a ser edificados no nosso espírito, e nEle, passamos a orar o que convém orar….

 

  • Recortei os textos que entendo que melhor expõem a disciplina espiritual de oração no Espírito. Em alguns casos, usei mais de uma versão da Bíblia num mesmo texto para expor a essa tão importante realidade espiritual.

 

Trechos da Primeira Carta aos Coríntios – Capítulo 14

Pois, se oro em línguas, meu espírito ora, mas eu não entendo o que estou dizendo. Então, o que devo fazer? Orarei no espírito e também orarei em palavras que entendo. Cantarei no espírito e também cantarei em palavras que entendo. 1 Coríntios 14:14-15(NVT)

“E eu quero que todos vós faleis em línguas…“

“Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.“

 Dou graças a Deusporque falo em outras línguas mais do que todos vós”.

“O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja.“
“Pois quem fala em língua não fala aos homens, mas a Deus. De fato, ninguém o entende; em espírito fala mistérios.

 

Trecho do Evangelho de Marcos

“E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas…“

Trecho de Efésios 6

“…Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;
Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica…“

Trecho da epístola de Judas

Capítulo único, a partir do verso 20…

Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo,
Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.

 

Trechos de Atos dos Apóstolos

 

E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.
E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.    (Atos 2.3-4)

E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra.
E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios.
Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus.
Atos 10:44-46

E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam.
E estes eram, ao todo, uns doze homens.
Atos 19:6,7

 

***

Pretendo ainda falar muito sobre esse assunto. Pra quem já tem essa ferramenta e entendeu o princípio, humilhe sua inteligência e passe a orar no Espírito  sempre quando puder: no ônibus, na caminhada… Ninguém precisa te ouvir… Você pode balbuciar as palavras a nível silencioso. Eu te garanto uma coisa: Se você aliar isso ao exame das Escrituras na sua meditação diária, além de um tempo de oração com entendimento e com línguas em devocionais periódicos, você não será mais o mesmo. Esse é um dos segredos para manifestar o fruto do Espírito registrado em Gálatas: pra transbordar, enfim: amor, humildade, coragem, fé…

 

Experimente!

Arrependimento: fundamento pra vida toda

ARREPENDIMENTO
Arrependimento: fundamento pra vida toda
*                                                                            *
A gente pisa na bola todo dia, não é verdade? O apóstolo João diz que aquele que diz que não tem pecado, é mentiroso.
Um dos segredos e fundamentos da vida cristã pra crescer, dar frutos além de ser um dos pilares de todos os avivamentos genuínos está registrado em Hebreus 6, Atos e Joel 2: Arrependimento perene, profundo e progressivo!
 
É o fundamento tão básico que não deveria ser necessário ser lançado de novo! Devemos andar em arrependimento e perdão:
 
Hebreus 6
 
Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus,
E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.
Hebreus 6:1,2
 
Joel 2.12-18
 
E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal.
Quem sabe se não se voltará e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, em oferta de alimentos e libação para o Senhor vosso Deus?
Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembléia solene.
Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai as crianças, e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva do seu aposento.
Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem; por que diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?
Então o Senhor se mostrou zeloso da sua terra, e compadeceu-se do seu povo.
Fiquem com Fernandinho:

Dia da Consciência Negra: Dia de Zumbi ou de Cruz e Souza? Revolução racialista ou Liberdade Black?

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O Opróbrio a Zumbi.  E um viva a Castro Alves, a Cruz e Souza e a Machado de Assis!

O motivo que  me faz não gostar da palavra negro para designar uma cor é porque esta palavra carrega mais sentido do que a simples designação visual. E se as outras linhas étnicas são todas chamadas por uma cor que as identifique, porque então para os pretos deveria ser diferente? Não são os povos: amarelos, vermelhos e brancos? Porque atribuir à pessoa preta, algo que seja mais que uma cor? Para mim não parece próprio. Negro na nossa cultura pode significar aquilo que é sombrio, por exemplo. Nos EUA, os pretos são apenas blacks, chamá-los de “niger” é considerada uma atitude de racismo. Lá, a patrulha do politicamente correto parece querer lançar mão do termo “afro-americano”. Também não acho a última adequada para o uso comum, acho, ademais uma distinção injusta para aqueles que como brancos e vermelhos descendem de gente que ajudou a construir a história dos EUA, de gente que nasceu em solo americano. Para fazer justiça teriam de chamar todo branco de “euro-americano” ou vermelho de nativo-americano. Não acho que é assim que se faz.

Também há a palavra raça, que deve ser, ao meu ver, rejeitada. Ora, existem diferenças físicas entre gente da “mesma cor”, entre um russo e um francês, entre um chinês e um japonês, entre pigmeus e zulus africanos. Até incas são diferentes de maias que são diferentes de apaches americanos que se diferem de moicanos, que não se parecem muito com ianomâmis que tem traços diferentes dos xavantes e que se distinguem dos pataxós. Se fossemos considerar todas essas linhas étnicas teríamos centenas de raças, e o conceito de raça já caiu. Não há que se comparar por exemplo a diferença entre duas raças caninas, como insistem em fazer alguns ignorantes. No caso dos cães, um pitbull, por exemplo nos dá um feedback instintivo bastante diferente de um labrador. Aí sim, temos raças. É notório porém, para todo ser civilizado e inteligente que as diferenças físicas que existem entre os homens não são substanciais para defini-los… Um homem é produto das suas ações individuais, da experiência familiar, das práticas ancestrais do seu meio social, de como exerce sua consciência em relação às tradições que o cercam. Por mais diferentes que os homens sejam na aparência, na cultura e nos costumes, eles tem toda uma gama de possibilidades e potencialidades que os incluem todos numa única raça: a raça humana.

A palavra consciência também não é própria. Consciência tem a ver com foro íntimo, com a capacidade de julgar. Me parece que os amantes das ideologias revolucionárias, tais como o marxismo, se apropriaram deste uso justamente para ao eleger um tirano como herói dos negros, impregnar a cultura nacional de mais um símbolo que se traduz na visão revolucionária adquirida artificialmente por muitos brasileiros. Em outros miúdos, Zumbi foi erigido para pensarmos de forma revolucionária. Que o digam as elites acadêmicas! A resistência de Zumbi está recheada de justiçamento a outros negros e da imposição da escravidão a outros pretos, fazendo de Palmares uma espécie de Estado Totalitário inimigo da Coroa Portuguesa, que outrora, inclusive, havia feito uma oferta de paz. Não estou dizendo que os portugueses eram bonzinhos, mas também, com o material que temos hoje, parece ficar difícil dizer que o “Fantasma imortal” dos Palmares era flor que se cheirasse.

Diante desses fatos, o que fazer? O que fazer quando um feriado está posto de maneira a coletivizar um pensamento revolucionário, elevando um altar onde ser preto significa participar de movimentos afros que praticam necessariamente o candomblé e a capoeira, onde pra ser um “preto consciente” é necessário cultuar orixás, participar de rodas de samba e votar no PT? E vejam bem, eu acho que é possível e interessante os estudos das religiões africanas. O fato de agirmos com cautela em relação a elas é devido a uma relação diferenciada da que temos, por exemplo com os deuses nórdicos, gregos, celtas e romanos que foram devidamente, me permita dizer assim, sepultados pelo cristianismo, embora neo-pagãos do norte da Europa pós-cristã fiquem querendo ressuscitá-los. Achamos legal falar de Atenas, Thor e Zeus por exemplo. A distância da prática religiosa em relação a esses deuses faz-nos brincar com suas imagens sem comprometer o nosso cristianismo. Acontece que os deuses africanos ainda hoje são francamente cultuados e adorados. E um dos problemas dos movimentos progressistas é que o tema religioso, que deveria ser, no nosso mundo civilizado, um assunto de busca pessoal, e a priori, adulta, torna-se uma patente cultural importante que representa a cor.

Como se os orixás representassem os pretos! Ora, não é porque eu sou preto que eu tenho de ser “macumbeiro”. Não é porque os pretos do Brasil sofreram que as escolas tem de enfiar goela abaixo das crianças – que são geralmente muito emotivas e que precisam crescer no uso da razão, as supostas  belezas dos cultos africanos, desrespeitando a herança familiar religiosa que recebem: seja ela protestante, católica, kardecista, budista ou qualquer que seja. Não é certo, de maneira alguma, argumentar em defesa dos oprimidos de uma cor colocando-os sob uma bandeira religiosa quando na verdade os indivíduos dessas origens étnicas professam as mais diferentes religiões. A civilização ocidental deveria permitir justamente a liberdade de escolha. Cada um é livre pra escolher se quer ser rastafari, evangélico, induísta, taoísta ou religião que o valha. Eu acredito que uma das grandezas do processo civilizatório é a liberdade que os indivíduos passam a ter nas sociedades que chegam na maturidade democrática. Se aqui no Brasil, os movimentos anti-racismo insistem em afirmar confissões religiosas africanas de maneira autoritária e artificial, nos EUA a confissão das comunidades pretas tornou-se protestante, e isso de maneira natural, sem uma pseudo-liderança mor que os abrigasse debaixo de uma grande bandeira luterana, por exemplo.

Foi um fenômeno comunitário comum, onde pretos voluntariamente decidiram abraçar o cristianismo. As notas da escala pentatônica, chegadas da África, em contato com a fé abraçada pelos escravos deram origem aos spirituals. Eram, na sua maioria, lamentos fervorosos e cheios de emoção dirigidos ao Criador. Os spirituals deram corpo ao que viria a ser chamado de Gospel. Sem o Gospel não haveria o Blues, sem o Blues não haveria o R&B, sem o R&B não haveria nem o Funk nem o Soul. Sem a mistura interessante entre Blues, Country e Folk, nos faltaria o Rock.  Sem todos esses gêneros de música black, talvez não teríamos o Jazz, ou ele demoraria, ainda muito tempo para aparecer. Graças às etnias de ébano, a música ocidental é infinitamente mais rica do que seria sem elas. Aqui no Brasil não teríamos o samba, e não teríamos feito nascer a Bossa Nova.

O fato da comunidade negra americana se expressar através do gospel é um dado interessante.  No Brasil os pretos além de discriminados, sofreram com uma sociedade aristocrática fortalecida que produziu por conseguinte uma diminuta liberdade real na vida prática. Como consequência, a integração nos aspectos da civilização européia foram reduzidos para a parte preta do povo brasileiro. Este é um dos fatores porque numa população como a do Brasil, onde oficialmente cerca de 50% das pessoas são pretas, nós ainda tenhamos uma quantidade de pessoas influentes da nossa cor muito inferior a dos EUA. Temos menos intelectuais pretos, menos cantores pretos conhecidos, menos atores pretos famosos e assim por diante. Nos EUA com toda a injusta e perversa segregação da época, a possibilidade real de exercer a liberdade, sempre foi muito maior. Resultado: Os pretos de lá – cerca de 14% –  ascenderam socialmente muito mais que os daqui. Proporcionalmente em relação aos brancos, o número de ilustres pretos nos EUA é bem maior do que no Brasil. A luta nos Estados Unidos foi pelos direitos civis com o Reverendo Martin Luther King Jr., grande ícone contra a segregação racial, não foi uma luta por privilégios, como as  cotas, tão defendidas hoje por partidos de esquerda. Luther King clamava apenas  por direitos iguais. A sua luta transformou-se em feriado nacional, sancionado anos depois de sua morte, pelo presidente Reagan e celebrado em todas as partes dos Estados Unidos. Estados racistas ou não, tiveram de reconhecer a data como o dia da luta dos direitos humanos, ou o dia dos direitos civis.

Uma luta que começou pelos pretos tornou-se uma plataforma de luta pelos direitos de todos os homens! Morgan Freeman, famoso ator americano aparece em um popular vídeo editado na internet que tem por título “Negros contra cotas”. Ele, se pronuncia, por exemplo contra “o mês da história negra”. Os judeus tem um dia para relembrar o holocausto, um trauma terrível que eles relembram como forma de conscientização. Nós pretos, deveríamos fazer, como os judeus, e isso é bem mais do que ter o dia da Consciência Negra ou o Martin Luther King Day, como nos EUA. Mais que um dia, o que precisamos é de uma memória (assim como Israel e EUA fazem ao cultivar a memória nacional), que tanto defendo aqui, que não nos faça esquecer o sangue de escravos que foi derramado. Devíamos fundar museus, criar mais documentários e lembrar de pretos que foram realmente brilhantes e até mesmo verdadeiros heróis, ao contrário de Zumbi, Alguém já disse que o preço da Liberdade é a eterna vigilância. Ao relembrar a história, os israelistas modernos infundem na sua população, e na própria comunidade global, anticorpos pra que holocaustos sejam evitados. E isso não se deve ao fato  deles terem menos inimigos hoje. Mas é porque eles criaram uma memória que não os deixa esquecer do que passaram. Eles criaram uma memória que impede que o mundo esqueça e que os mobiliza pra criar as condições práticas que os mantenham protegidos. Devíamos retirar os nós dos altos impostos que pesam sobre os ombros de toda população. Grandes empresários surgiriam daí, grandes artistas e atletas também. Se já temos grandes estrelas negras, mais ainda teríamos! A ausência de liberdade é que é uma matadora de sonhos. O maior opressor que existe nos nossos dias é o Estado. Sem as suas garras, muitas flores iriam florescer, e muitas delas seriam pretas.

Cruz e Sousa foi acusado de ser leviano em relação ao abolicionismo. Dos nossos grandes literatos, foi um dos mais pretos que houveram, ele tornou-se um dos maiores ícones do simbolismo brasileiro. Sua apreciação à cor branca choca muitos críticos, que o acusam de ter sido racista. Por eu ter elogiado algumas vezes a brancura na beleza feminina, já fui alvejado com a mesma pecha. Castro Alves subiu às nuvens para clamar aos Céus a justiça divina. Interpelou com sua poesia o criador, suplicou para que as futuras gerações não fossem cúmplices da desonra, derramou fortes lágrimas em versos como fossem sangue dos nossos avós e bisavós! Nosso grande Machado, mulato de pele, por isso preto também, denunciou a hipocrisia humana, elevou a estética da narrativa literária, fundou a Academia brasileira de Letras. Todos estes, com um pouco de liberdade que lhes foi dada, com um pouco da oportunidade que lhes apareceu, foram capazes de brilhar sobre os Céus da nossa nação. Com exceção de Castro Alves, os outros eram pretos. As suas memórias jamais poderiam morrer.

Assim como os americanos tem o Martin Luther King day, os judeus tem dezenas de museus que não deixam o mundo esquecer do holocausto. Eles relembram ano após ano o crime que fora cometido contra os seus ancestrais, alguns deles, vivos ainda. Eu particularmente sou contra as cotas. Eu acho que temos é que criar esta memória. Assim como os judeus fazem no dia da Lembrança do Holocausto, nós temos que fazer também. Não é possível recriar artificialmente uma justiça social. Não é justo punir os outros com privilégios criados artificialmente pelo Estado. Eu não quero privilégios, muito menos concebo uma cultura de ódio, na qual alguns chegam a pregar morte a outras etnias. A controversa figura de Mandela me ensina uma outra cultura. Este líder que está longe de ser uma unanimidade entre os conservadores – tendo se associado com o marxismo e interesses globalistas que suprimiram sua própria nação -; não obstante  tem para mim um mérito  a ser observado: ao evitar uma guerra civil ele ensinou  uma cultura de perdão e de paz. No meu entender, assim como para o conservador Nivaldo Cordeiro, o saldo de Mandela como estadista, foi positivo. Talvez, apenas por isso. Por fim quero dizer que eu reconheço minha ancestralidade. Quero dizer que todo preto é livre pra sambar ou dançar valsa, pra tocar Country ou tocar Blues, pra fazer um black power ou para alisar a cabeleira. Queria dizer, contra qualquer xenofobia, que me sinto livre para aprender de cultura oriental a cultura nórdica. Que interesso-me pelas pirâmides do Egito e pelas religiões da Índia. Se servir de estímulo para os que acreditam em pureza étnica, gostaria de dizer que já está provado que nem pureza étnica existe. Antes de ser preto, sou ser humano.

Um preto do Congo tem sangue branco, e acreditem, o finlandês mais branco, tem sangue preto. A ciência já comprovou. Queria dizer que nessa consciência que tenho, diante da memória preta que há, acho linda uma bata africana, amo o samba que me faz cantar, amo o Blues que me faz sangrar nos bends que toco na minha guitarra, aprecio o gospel que a tantos emociona. Uma memória preta não forçará ninguém a ser preto. Não fará uma lavagem cerebral na consciência de ninguém. Apenas mostrará a todos os homens o sangue vertido nas costas dos meus ancestrais, os cortes feitos pela chibata, pelo chicote. Para que assim, o ocidente, que é como um porto seguro para as nações da terra, não deixe ocorrer os horrores do passado novamente nem em seu próprio chão, e se possível, nem nas terras mais longínquas, onde os horrores são maiores. E para que continue sendo o porto seguro que é  para pessoas de todos os povos, alguns dos quais infelizmente não ensinados ainda, na humanidade. Que  nenhuma cor, de nenhuma etnia, sofra as agruras que os negros sofreram. Para todos os que tem cor de ébano gostaria de emitir uma mensagem especial: não se vitimizem, confrontem os perversos, desprezem os ignorantes, lutem pela liberdade, lutemos todos pela liberdade. E lembremos todos, que mais do que ser preto,  branco ou amarelo, mais do que ser vermelho ou qualquer outra cor, ratifico isso: somos todos seres humanos! Liberdade e Justiça para todos nós pretos. E pra todos os seres humanos!

 

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