Meu Orixá

Meu orixá tem olhos de fogo

Tem cãs brancas

E manto vermelho

Na coxa uma marca – uma tatuagem antiga?

*

Ele brada guerreiro

Com uma espada na Voz

E faz prisioneiro

O pior inimigo:

Mortandade que aflige  humanidade vil,

que em certa idade de todos ceifa

a vida que pra todos, tão ligeira passa.

*

Exceto pra alguns, que não passa não! 

Vira eterna, perene, realidade.

*

Meu orixá tem um amor violento

É mais bravo que a sorte

Que não tem temor

*

Ela trucida a qualquer 

lançando até, mentes notórias, no profundo terror!

Qualquer ser humano, que triste, vagando

Surpreende  e aprisiona 

Em aviltante horror!

*

Meu orixá repele as forças sombrias

Sorri  alegre e emana 

beleza pura e fria; carinho sereno e vivaz:

Torrentes de puro amor: é vagão. É rio que me refaz!

*

Meu orixá tem ciúme de mim

Não sou seu escravo mas lhe chamo senhor

Porque este orixá forjou seu amor 

Em sofrimento que tanta dor lhe causou!

*

Foram como mais de mil flechas, que por mim suportou 

 interpondo-se entre o arqueiro e a mim, desertor

Recebeu em si, malefícios mil – mas com tamanho ardor pelejou

Que até mesmo a mão que se perfurou

Hoje se move como se eu pudesse vê-lo

Ella afaga este meu  brilhante peito!

*

Um nobre em África, que por  imperador, em amárico se coroou

Empresta-lhe os títulos  

sem a menor cerimônia. 

Desce da glória e passa a servir:

batiza, no trono, o seu próprio senhor.

*

E a nação tricolor e bendita, cuja assembléia de antigos  conferiu honrarias:

Ao meu orixá, que  sobre os três credos se exalta

Da sua morada resgatará seu penhor

E logo dirão que Olodum o enviou.

*

E é certo que Ele, a vida e morte domina

Bravo que é, este rei lutador.

Desde os magos que o viram por uma estrela do Céu 

Do trono do Oeste as riquezas herdou.

*

E como que vindo da morte

Ao meu peito brilhante

Polido por ele, faz diamante.

*

Salve este nobre senhor!

Orixá de orixás e servo da Honra.

Os selos dos reis são reais por agora 

Mas n’alguma hora neste tempo que passa

Todos as coroas serão do Glorioso!

*

De reis é chefe,

e que se cante um Regaee!

Sublime É! Seus olhares são doce amor.

Ele é síntese da distinta paixão.

*

A todos quantos ouvem: Recebam axé!

Em verde, amarelo, rubro e azul.
  

*

Exaltada emanação do Ser todo:

Pura Flor.

Poesia-entidade transcendente que ama e que é amor:

Vocábulo-verbo tão repetido nesses versos,

que pra não ser enfadonho, encerro neste calor,

desta minha voz  de agora (soprando e  invocando-lhe):

Meu orixá! Meu orixá! Meu orixá!

Sussurrando, convido, meu orixá!

Axé!!!

***

Segundo pesquisas, na religião do candomblé, ori significa cabeça e significa rei ou dono em iorubá. Logo, orixá remete aos deuses africanos que seriam donos da cabeça, ou seja, do indivíduo mesmo. Na cultura afro-brasileira herdada dentre outros, dos nigerianos, cada pessoa tem o seu orixá, ou dono. O meu é esse supracitado.

Quanto ao termo axé, significa energia, poder, força.

Teologia Mãe. Filosofia filha.


Demorei  a aceitar que a Teologia fosse mãe da Filosofia. Eu tentava colocá-la como irmã ou talvez prima… 
Mesmo valorizando a ortodoxia e a fé, eu me esforçava mentalmente pra resolver essa equação que me era complicada. A Filosofia me parecia grande demais pra não abarcar até mesmo a própria Teologia. Por outro lado a Teologia era o estudo da lógica divina (e isto deveria bastar).

O dilema ocorria porque a Filosofia estuda a realidade mesma. E em havendo Deus – e há-; o próprio divino faria parte da realidade. Logo, um campo que estuda apenas Deus e as coisas relacionadas a ele, mesmo que se estendendo pra todos os objetos da realidade (porque em Deus estamos e nele nos movemos), não poderia ser maior do que o estudo da estrutura da realidade inteira, que incluiria Deus, mas a partir do uso da razão, tomando, a priori, como ponto de partida, elementos observáveis como a cultura, a religião, tradiciões, a natureza, a ciência e assim por diante.

Acontece que a Teologia Cristã, que é a boa teologia por excelência, baseia-se na Revelação. Na verdadeira Palavra divina. E daí, usando de razão é possível averiguar, analisar e discernir a realidade partindo do sentido oposto da Filosofia. Enquanto a última parte dos elementos criados para atingir toda a Verdade, a Teologia parte da Verdade, e como espelho fiel, retrata todo o mundo em torno com maior lucidez.

A Verdade está expressa através da palavra logus (ou seja, das Escrituras) que como bússola, é o provedor lógico central do Mistério do Evangelho e que amparada  pela r Tradição Cristã, a Autoridade dos colégios ministeriais, a Natureza  e a própria Experiência, destilam a Palavra Rhema (específica) que unindo esses fundamentos se revelam como um mapa – amplamente dependente da bússola, mas que sopra a inspiração do Espírito Santo como em um barco a vela, que testemunha em nós e nos pilares supracitados, apontando e direcionando para o Tesouro: A Palavra Encarnada, o Verbo Vivo: Jesus Cristo.

Agora entendo mais claramente como a Teologia é superior a Filosofia; embora por vezes se amalgamem, por se amarem tanto, como muitos já observaram.

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Soli Deo Gloria. 

Proibidão: Música para Adultos

O que ficou conhecido como Funk Carioca, pancadão ou proibidão é música sim, ao contrário do que pensam alguns: música da pior espécie. 

O erotismo, tema abordado na grande maioria dos casos, não possui tratamento estético nenhum. Tanto as letras como as danças tratam dos genitais pelos mais variados nomes, dos “lances”, gravidezes; das formas mais explícitas, banais e sem reflexões; como só numa mesa de boteco, aqueles homens absurdamente mulherengos e zombeteiros são capazes de tratar. 

A função do Funk Carioca não trabalha o contexto romântico-erótico nem com beleza e nem com pragmatismo. Fosse uma explicitude do sexo com uma nudeza fria, cínica, sarcástica ou bem humorada ( lembram da banda Blitz?), poderia ser imoral, mas ainda assim teria uma função artística superior. Mas não, o Proibidão conseguiu descer a círculos infernais piores dos que do Axé de dulplo sentido dos anos 90.

O Poibidão (prefiro chamar assim pra não blasfemar contra o verdadeiro Funk – aquele do James Brown pra quem não conhece); não expressa verdades ou visões sobre outras coisas que não 90% de sexo e uns 10% de bandidagem e criminalidade (Só aí, vemos como ele é limitado). 

A sua função é menos artística e mais como pornografia sonora; onde “novinhas” e “velhinhas”, simulam o coito rebolativamente nas mais variadas posições imagináveis.

Tal como a pornografia convencional, o Pancadão estimula o erotismo e provoca a libido; mas como a pornografia visual, sua projeção é mecânica e robótica. Ele é incapaz de emular no ouvinte os detalhes, agonias, aspirações e elevações do sexo real, feito por um casal que minimamente nutre um afeto carinhoso – e eu nem disse amor…

Os bits e as dobras do som funcionam como um mantra ao repetir dezenas de vezes num minuto, a palavra “vagina”, por exemplo. Claro, as letras desse estilo, optam por vocábulos mais chulos… 

Os mantras lançam sobre o imaginário afetado dos ouvintes uma cortina de fumaça que mutilará as nuances do sexo para aqueles que não tem o mínimo de arcabouço cultural ou espiritual fora dessa desgraça artística.

O Proibidão – acho que esse seja realmente o melhor nome pra vertente pornográfica – por vezes, chega a aproveitar aqueles passos menos indecorosos, rápidos e cheios de gingado do Pancadão carioca ( onde as pernas se cruzam e descruzam e flexionam  numa coreografia bacana e rememoram letras infantes como o de “Minha Vó tá maluca”  que trazem um pouco de humor e tem uma função- esta sim- mais musical do que sexual. 

Imaginem os filmes de cinema (nenhum dos grandes festivais ou premiações tem troféus para o estilo “película adulta”). As garotas de progama conhecidas como atrizes pornô (falo assim, com todo o carinho por elas e sem moralismo – é apenas um fato) não precisam de talento, nem disciplina e nem vocação artística nenhuma. Ou melhor, sua potência artística – se existe-, nesse tipo de produção é próxima a zero – ainda que tenham  estudado dramaturgia durante anos. 

O caminho que escolheram, inferioriza as suas virtudes interpretativas; pois gemer de um jeito ou de outro, por mais verossímil que seja um gemido, não envolve disciplina nenhuma a não ser  o resgate de emulações simplórias que estão no imaginário da maioria dos seres humanos. E simular uma pessoa que não existe – um personagem – é bem diferente de fazer algo que a maioria dos seres humanos fazem ou farão um dia na sua intimidade.

A geração do Proibidão, será uma das mais frustradas sexualmente. Justamente por bestializar e, mais ainda, robotizar o sexo, terá dificuldades de experimentar, pelo menos, por muito tempo, a plenitude dos prazeres sensoriais, e falo dos físicos mesmo (para ser redundante). Menos capazes ainda, serão, de usufruir da influência que a alma e o espírito podem promover, elevando à potência máxima a experiência sexual, emanando sobre esse quase-ritual divino, criado, dentre outras coisas, para que um homem e uma mulher celebrem a sua união e se recreiem nela.
Não é a toa que o Dr. William Lane Craig exponha que pessoas com valores mais elevados tem uma vida  mais satisfatória nessa área…

A minha esperença é que a maioria dos ouvintes de Proibidão ouçam – sim, é triste dizer isso, e é assunto pra um próximo capítulo- pelo menos, pagode.

E antes de dizer que eu não sei nada sobre este lixo que jamais esteve na minha playlist musical, não ignore o meu poder de análise e síntese. 

E muito menos a pesquisa de campo:

Acabei de voltar de um baile “funk”. 😉

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Soli Deo Gloria.